Identificar fatores associados ao tabagismo em estudantes de 13 a 15 anos de idade, nas capitais dos três estados da Região Sul do Brasil foi o objetivo da tese de Doutorado "Fatores associados ao tabagismo em escolares da Região Sul do Brasil", defendida pela médica Ana Luiza Curi Hallal, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
A Tese de Ana analisou dados de uma pesquisa nacional realizada pelo INCA em várias capitais brasileiras. Segundo Ana Luiza, “somente analisei os dados da região sul, mas o dado está disponível para outros estados, portanto outros pesquisadores podem expandir a analise”.
Ana Luiza analisou dados secundários provenientes do Inquérito de Tabagismo em Escolares (Vigescola), relativos à Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, em 2002 e 2004. A população compreendeu adolescentes de 13 a 15 anos, cursando as 7ª e 8ª séries do ensino fundamental, e primeira série do ensino médio, de escolas públicas e privadas. A coleta da informação foi realizada por meio de um questionário auto-aplicável e anônimo. Foram considerados tabagistas os escolares que informaram terem fumado em um ou mais dias, nos últimos trinta dias.
A pesquisadora constatou que a prevalência de fumantes entre esses escolares variou de 10,7% em Florianópolis a 17,7% em Porto Alegre e foi sempre mais elevada entre as meninas. Observou também que em todas as cidades, a prevalência de escolares expostos à fumaça de tabaco fora de casa foi maior entre os fumantes do que entre os não-fumantes; em Porto Alegre, mais de oito em cada 10 escolares fumantes referiram exposição à fumaça fora de casa nos últimos sete dias.
Ana Luiza concluiu em sua pesquisa que entre escolares residentes nas capitais do Sul do Brasil, a prevalência de tabagismo é elevada, e os fatores comuns associados ao tabagismo foram possuir indivíduos fumantes como melhores amigos e estar exposto à fumaça ambiental, fora de casa.
O que motivou a pesquisadora a realizar tal pesquisa, foi o fato de que o tabaco é, mundialmente, uma relevante causa prevenível de morte. Para a pesquisadora, “considerando-se a prevalência de tabagismo e o potencial de seu crescimento, entre os jovens brasileiros, justifica-se o presente estudo que visa a embasar programas abrangentes de controle do tabagismo”.
Segundo a pesquisadora, “a grande contribuição da tese foi identificar que um dos principais fatores associado ao tabagismo em jovens (13 a 15 anos) é a exposição à fumaça ambiental, fora de casa. Isso reforça uma das principais políticas de saúde pública recomendada pela OMS - a adoção de ambientes públicos 100% livres de fumaça de tabaco, ou seja, os resultados da tese sugerem que esta política, além de proteger o fumante passivo das doenças associadas ao tabaco, também evita que jovens iniciem a fumar. Considerando que o Brasil encontra-se em um momento decisivo de mudança da legislação referente a ambientes livres de fumaça de tabaco, o presente estudo fornece subsídios científicos para esta mudança”.
Segundo a pesquisadora, “evidências científicas indicam que não há níveis seguros para a exposição passiva à fumaça do cigarro, sendo que a implementação de ambientes 100% livres de fumo é a única maneira eficaz de proteger a população dos efeitos prejudiciais da exposição passiva à fumaça do cigarro. Sabe-se que a ventilação e áreas reservadas para fumantes, equipadas ou não com sistema de ventilação independente, não reduzem a exposição a níveis seguros e não são recomendadas”.
A pesquisa foi orientada pela Profa. Dra. Sabina L. D. Gotlieb, professora do Departamento de Epidemiologia da FSP/USP.
Fonte: Envolverde/Assessoria. É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.