Dois cientistas franceses que descobriram o vírus da Aids e um alemão que identificou o vírus que provoca o câncer do colo do útero ganharam na segunda-feira o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia.
Luc Montaigner, diretor da Fundação Mundial para Pesquisa e Prevenção da Aids, e Françoise Barre-Sinousi, do Instituto Pasteur, receberam juntos metade do prêmio de 10 milhões de coroas suecas (1,4 milhão de dólares) por descobrir o vírus HIV, que provoca a Aids, doença que matou milhões de pessoas desde sua identificação, na década de 1980.
Harald zur Hausen, da Universidade Duesseldorf, também ex-diretor do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer, ficou com a outra metade do prêmio, por ter desmistificado dogmas relativos às causas do câncer no colo do útero.
- Os três laureados descobriram dois novos vírus de grande importância, e o resultado disso levou a uma melhora na saúde global – disse Jan Andersson, membro da Assembléia do Nobel, no Instituto Karolinska, da Suécia.
- Contatamos os dois laureados, os dois homens, e ambos ficaram felicíssimos. Até onde eu sei, Françoise não foi contatada – disse Andersson em entrevista coletiva.
O prêmio representa uma vitória importante para Montagnier em sua antiga disputa pela primazia da descoberta do HIV, reivindicada também pelo norte-americano Robert Gallo.
Ambos se acusaram de terem trabalhado com amostras contaminadas, e foi necessário um encontro entre os então presidentes de seus países – o francês Jacques Chirac e o norte-americano Ronald Reagan – para convencer o Instituto Nacional de Saúde dos EUA e o Instituto Pasteur a dividirem os royalties pela descoberta, e os dois cientistas a compartilharem o crédito pelo feito, em 1987.
Zur Hausen foi reconhecido pelo trabalho baseado na sua idéia de que o vírus HPV causa o câncer do colo do útero, segundo mais comum entre as mulheres.
O cientista alemão, que iniciou esse trabalho na década de 1970, imaginou que, se esse câncer fosse de fato de origem viral, seria possível detectá-lo pela busca de um DNA viral específico.
Durante dez anos, Zur Hausen buscou tratamento para diferentes tipos de HPV, detectando-os em biópsias de pacientes do câncer do colo do útero. Os tipos que ele localizou (e posteriormente clonou) estão presentes em 70 por cento das biopsias da doença no mundo.